quarta-feira, 18 de julho de 2007

Camaradagem

Amigos. Caindo no risco do arcaísmo popular, contam-se pelos dedos. Abençoado aquele que tem suficientes para ocupar os dedos de uma mão. De todas as possíveis interpretações, aquela que melhor me define um amigo será "aquele que me quer bem". Vou mais longe, "aquele que me quer acima do seu próprio bem". Pelo menos é assim que eticamente classifico o meu comportamento perante os poucos a quem chamo de "amigos". Tenho ideias muito definidas sobre a amizade e sinto o peso da responsabilidade de tal compromisso. Para mim o único elemento que separa um amigo da minha família, é somente o código genético. Todavia os meus critérios de selecção são exigentes e a avaliação é contínua. A um amigo só não perdoo a traição. Com isto não quero dizer que não seja capaz de trair, apenas nunca trairia um amigo.
Reconheço que não sou das pessoas de mais fácil lide, tenho bastantes e notórios defeitos, mas ultrapassados certos atritos, têm a minha entrega total. Porém existe sempre a outra "face da moeda", quem me desilude tem a minha aversão eterna. Posso até ocultar ódio, cólera, raiva, aversão... Quem me magoa após tê-lo aproximado de mim, terá a proporcional retribuição. Fria, dissimulada e oportuna. Metódica e feminina.
Cai-se demasiado no erro de chamar "amigo", a qualquer indivíduo que partilhe algumas preferências ou actividades. Amigos definem-se nas situações limite. Sem pedidos de ajuda, sem lamentações, sem explicações. Ninguém sabe como ou porquê, simplesmente estão presentes ou ausentes, com os "timings" perfeitos. Não é só inundar-nos de conselhos, minimizar a importância das situações ou concordar com tudo
o que dizemos. Muitas vezes é saber ouvir em silêncio, chorar connosco ou até repreender-nos fisicamente.
Não existe um manual para o comportamento exemplar de um amigo, nem assim é suposto,
já que todos somos portadores de imperfeições. Penso que um bom indicador de amizade, será ambicionarmos para um amigo, tudo o que ambicionamos para nós de forma activa. Não me imagino a crescer e não ter quem cresça comigo.

2 comentários:

euexisto disse...

fico contente por encontrar-te aqui. favoritos com ele. e já agora, se me permites, um abraço pleno de amizade

livramelo disse...

Olá apenas duas palavras para te dizer que por força do acaso li algumas coisas, que escreveste. Não me importa porque as escreveste nem tão pouco para quem escreveste, o que posso dizer-te é que vi nas tuas palavras alguém que sofre desesperadamente e precisa de se encontrar dentro do seu próprio vazio, alguém que por vezes chega a ter medo dos seus próprios pensamentos, que apesar de ter consciência do porquê de tanta angustia , não sabe o que fazer, isto porque se sente perdido no meio dos seus pensamentos . trata-se de alguém inteligente, mas vivendo amedrontado dentro do seu escafandro e os seus fantasmas. Hoje é possível viver-se dentro do escafandro mas sem fantasmas, existe algo que é possível fazer-se só depende de ti...perdoa-me se fui intrometida ao fazer esta minha apreciação, mas ,acredita que só quis dizer-te que acredites há uma esperança de poderes compreender-te melhor, basta que para isso te disponibilizes.acredito que és capaz, quanto a mim gostaria muito de te poder ajudar. descansa que se trata apenas de ajuda verdadeira e sincera até porque tenho uma família .Suscitou-me curiosidade em ler aquilo que escreves-te e decidi enviar-te apenas este texto de esperança porque sei o quanto sofres e provavelmente farás sofrer outras pessoas que te são queridas sem que tenhas plena consciência disso .Se quiseres podes falar comigo.,ou até nos encontrarmos para falarmos destas questões. Fica bem e disponível para encontrares o teu caminho. xau