sábado, 14 de julho de 2007

Exorcismo

A escrita permite-me enfrentar o mundo, pelejar com espírito audaz e irredutível. Quando escrevo tudo se torna descomplicado, despojo-me de "máscaras", por momentos sou o verdadeiro "eu". Lá fora envergo armaduras na emoção, privando-me de mim e dos outros. O mundo exterior é uma arena e nós os seus gladiadores, resguardando somente a nossa perpetuação. Ao escrever relembro-me por momentos das palavras de esperança que poderia proferir, do sorriso que poderia esboçar, do carinho que poderia manifestar e talvez tornar um lapso de segundo, mais fácil de suportar a um transeunte qualquer.
Nos meus textos, sou o homem que um dia projectei, já que no dia a dia partilho da essência daqueles que tanto abomino. Já me defendo sem saber porquê ou de quem. É um mecanismo, reflexo condicionado. Bebi tanta dor, minha e alheia, que até a alegria sabe-me mal. Estranho-a na sua sistemática raridade. Nem me dói a sua ausência. Pelo menos aqui peso cuidadosamente a importância de cada emoção e valorizo cada miligrama. Lembro-me de todos que amo e dos poucos que odeio. Lavo o espírito e peço perdão a todos, por não amá-los suficientemente ou por odiá-los por egoísmo, já que temo que sem ódio, nada me ligue a eles e acabe por perdê-los. Espero apenas ter marcado alguém o suficiente, para o meu nome não cair no esquecimento.

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