terça-feira, 11 de setembro de 2007

Penitência

Noites intermináveis, nas quais percorro léguas e milhas em sobressalto, sobre um colchão encharcado no meu próprio remorso. Já não aprisiono o teu cheiro, nem escravizo o teu toque. Tremo em abstinência de tudo o que tinhas para me dar e arranho os cantos em busca de uma réstia de ti. Tudo o que sobra são fotogramas subliminares, do que foram momentos de certeza e estabilidade. Explode a culpa em mim e solto uivos de luto por estar morto para ti. Pagarei amargamente pelo crime que pratiquei contra ti e a minha penitência será eterna. Só soube culpar quem pecou, esquecendo-me que poderia ser praticante do mesmo pecado. Pesarás na minha consciência e a tua frágil fisionomia, será a carrasca que vagueará imortal no limbo da minha mente. O teu olhar magoado acompanhar-me-á perpétuamente, como um espinho cravado na moralidade, assinalando a minha pobre conduta. Serei assombrado pela tua graça, pela tua bondade, consciente de que foste o melhor que alguma vez me aconteceu.

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